Cara...o véio.
Só essa expressão brasiliense pode descrever com precisão o tamanho do nosso espanto com a loucura da Paula Oliveira, que confessou ter inventado que foi atacada por Skinheads e perdido gêmeas.
Como assim? Pára tudo que eu quero descer.
Sem mais, dou o assunto por encerrado e volto a cuidar da minha vidinha.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
sábado, 14 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Brasileira torturada

Acho que todo mundo no Brasil já deve estar sabendo o que aconteceu por aqui. Mas o resumão é: uma mulher brasileira, grávida de gêmeos foi torturada e perdeu os bbs. Os autores da agressão eram skinheads. No hospital, o inspetor de polícia teve a audácia de dizer que, se fosse mentira, ela seria processada. Enfim, foi agredida por não ser suíça, não por ser brasileira. Poderia ter sido uma chilena, uma chinesa ou uma turca.
Claro que todo mundo ficou indiganado. Claro que ficamos assustados, afinal, poderia ser eu ou o meu marido. A covardia não tem limite, fizeram com ela, pq não fariam com crianças? Poderia ter sido, então, a minha filha em um dos passeios da escola.
O pior é saber que, em função do partido de extrema direita, o sentimento xenofóbico está sendo incentivado, principalmente entre os jovens, e esse tipo de violência, da qual não há defesa ou prevensão, pode voltar a acontecer. Para isso, basta que a sociedade suíça, tão orgulhosa de suas virtudes, continue a aceitar a veiculação de propagandas preconceituosas e desinformativas que nos classificam (a todos os imigrantes) como corvos ávidos pela cidadania suíça. Basta que continuar assegurando a liberdade de propagação de idéias racistas e xenofóbicas. No início do post tem um exemplo dessa publicidade tão abertamente discriminatória que seria proibida em qualquer outro país da Europa.
Enfim, continuo me sentindo segura na Suíça. Não acredito que o que aconteceu seja regra ou vá se tornar uma regra, pois tenho confiança que a maioria da população pensa diferente e age diferente, mas a minha imagem da Suíça ficou sim manchada e só vai voltar a ser a mesma se esses idiotas forem punidos e essa mulher for tratada com dignidade.
Abraço,
Carol
update: Fiz o que pude para continuar acreditando na conterrânea, mas ficou difícil. rs De toda estória inventada, fica só a vergonha. Nenhuma mancha na imagem que eu tinha da Suíça e de suas instituições uma vez que, agora, vemos que a polícia só estava protegendo a moça de uma exposição desnecessária.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Oi pessoal,
desculpe o sumiço é que tanta água rolou debaixo dessa ponte. Ano passado foi o ano das novidades, acho que esse vai ser o das descobertas que, por incrível que parece, devem ser mais internas que externas.
Em um primeiro momento, a correria do dia-a-dia, a reorganização de rotina, conseguir uma casa, mobiliar o ap, aprender a viver... Tudo isso consumia a gente e não dava tempo para pensar. Foi tudo meio no automático.
Depois de tudo estabelecido (claro que ainda falta muita coisa, mas viver já não é um desafio tão grande), eu pude perceber que eu não sou a mesma Carol, o Ênio não é mais o mesmo e a Leila também não é mais a mesma criança. Como assim? Aonde é que eu estou? Que família é essa? rs
Eu descobri não só que posso confiar mais na minha equipe, como também posso confiar mais em mim. Sou capaz, somos todos capazes. Isso gente, não tem preço. O incrível é que eu tenha precisado sair do Brasil para descobrir que o meu marido pode ser um pai maravilhoso e que a minha filha é uma menina de ouro.
Por que eu tive que vir tão longe? Porque, no Brasil, a gente nunca seria tão testado. No Brasil, eu não teria que encarar criança doente, casa, comida, roupa para lavar (Leila adoeceu bem no dia mensal da lavagem de roupa).
Meu marido nunca teria que acordar às 6 da matina para lavar roupa e voltar do trabalho na hora do almoço para trazer comida pq eu não consegui cozinhar. Ele nunca teria que ficar com a Leila para eu poder descançar.
No Brasil, a minha filha nunca participaria de TODAS as atividades da casa. No Brasil, eu tinha com quem deixá-la quando ia fazer compras e pagar contas, por exemplo. Lá, eu podia ficar brincando com ela e focar toda a minha atenção enquanto outra pessoa limpava a nossa casa e cozinhava pra gente. No Brasil, eu não tinha que pegar 3 ônibus para chegar no hospital infantil com uma criança com febre e ainda fazer a coitada andar um bocado....
Então, é sovando que o pão cresce. rs Minha família cresceu em qualidade e eu só tenho a agradecer cada sovada que levamos.
Um abraço,
Carol
obs.: Seguem fotos que a Leila tirou na câmera dela.

desculpe o sumiço é que tanta água rolou debaixo dessa ponte. Ano passado foi o ano das novidades, acho que esse vai ser o das descobertas que, por incrível que parece, devem ser mais internas que externas.
Em um primeiro momento, a correria do dia-a-dia, a reorganização de rotina, conseguir uma casa, mobiliar o ap, aprender a viver... Tudo isso consumia a gente e não dava tempo para pensar. Foi tudo meio no automático.
Depois de tudo estabelecido (claro que ainda falta muita coisa, mas viver já não é um desafio tão grande), eu pude perceber que eu não sou a mesma Carol, o Ênio não é mais o mesmo e a Leila também não é mais a mesma criança. Como assim? Aonde é que eu estou? Que família é essa? rs
Eu descobri não só que posso confiar mais na minha equipe, como também posso confiar mais em mim. Sou capaz, somos todos capazes. Isso gente, não tem preço. O incrível é que eu tenha precisado sair do Brasil para descobrir que o meu marido pode ser um pai maravilhoso e que a minha filha é uma menina de ouro.
Por que eu tive que vir tão longe? Porque, no Brasil, a gente nunca seria tão testado. No Brasil, eu não teria que encarar criança doente, casa, comida, roupa para lavar (Leila adoeceu bem no dia mensal da lavagem de roupa).
Meu marido nunca teria que acordar às 6 da matina para lavar roupa e voltar do trabalho na hora do almoço para trazer comida pq eu não consegui cozinhar. Ele nunca teria que ficar com a Leila para eu poder descançar.
No Brasil, a minha filha nunca participaria de TODAS as atividades da casa. No Brasil, eu tinha com quem deixá-la quando ia fazer compras e pagar contas, por exemplo. Lá, eu podia ficar brincando com ela e focar toda a minha atenção enquanto outra pessoa limpava a nossa casa e cozinhava pra gente. No Brasil, eu não tinha que pegar 3 ônibus para chegar no hospital infantil com uma criança com febre e ainda fazer a coitada andar um bocado....
Então, é sovando que o pão cresce. rs Minha família cresceu em qualidade e eu só tenho a agradecer cada sovada que levamos.
Um abraço,
Carol
obs.: Seguem fotos que a Leila tirou na câmera dela.
domingo, 4 de janeiro de 2009
E que venha 2009
Olá,
mais um ano lindo se inicia. rs Estamos meio sumidos pq o Ênio conseguiu duas semanas de folga (a do Natal e a do Ano Novo) e, quando não estávamos morgando, fizemos muitos passeios interessantes e nos divertimos muito.
O ano de 2008 foi fantástico. Vivemos muitoooooooooooooo e de uma vez só. Tivemos que aprender tudo novamente. Aprendemos a cozinhar, a andar de ônibus, a ler um mapa (e como lemos mapas nesses últimos meses), aprendemos a nos virar sem nenhuma ajuda e estamos aprendendo a falar. Ainda como bebês, entendemos algo do que nos é dito, mas não sabemos responder. rs Isso, para mim é uma tortura. Sempre fui e continuo sendo uma tagarela.
Enfim, foi um ano inteiro de aprendizagem. Nem tudo foi indolor, nem tudo foi gostoso, mas, no balanço geral, 90% foi positivo. rs Hoje somos pessoas maiores, nos sentimos maiores. Nosso horizonte está maior.
Profissionalmente, o meu caminho ainda é longo e, sinceramente, nem sei por onde começar. Esse foi o meu ano pessoal. O ano de trabalhar em mim, de me conhecer e me reconstruir. Sem a fachada de jornalista, sem nenhum rótulo, sem nenhum refúgio. Eu tive que me olhar e ver quem eu sou. Cresci. Vi que podia ser uma mãe melhor, uma esposa melhor, uma mulher melhor, que a casa podia me dar algum prazer e vários desprazeres. Enfim, aprendi a ter mais calma, a ser mais doce, a ter menos medo e usar menos máscaras.
Para coroar esse ano, resolvemos passar a virada à nossa maneira. Juntinhos, quietinhos e quentinhos em um hotel. rs Essa era a exigência: dormir em um hotel. A cidade pouco importava. Corremos para a net e vimos que o melhor custo benefício era ir para Basiléia. Nem olhamos a previsão do tempo. Passamos o dia 31 inteiro andando debaixo de chuva e neve. Mas valeu a pena. A cidade é linda e o dia 1 estava com um solzinho maravilhoso (2 graus) e sem chuva.
No dia seguinte recebemos o convite para ir andar de trenó. Nossa, meu coração chega saltou pela boca. Eu sempre quis andar de trenó. Foi uma experiência fantástica e acessível mesmo para descordenadas como eu. Entramos o ano com chave de ouro e já estamos atrás dos equipamentos para fazer disso o nosso esporte de inverno. rs
O ano de 2008 foi fantástico. Vivemos muitoooooooooooooo e de uma vez só. Tivemos que aprender tudo novamente. Aprendemos a cozinhar, a andar de ônibus, a ler um mapa (e como lemos mapas nesses últimos meses), aprendemos a nos virar sem nenhuma ajuda e estamos aprendendo a falar. Ainda como bebês, entendemos algo do que nos é dito, mas não sabemos responder. rs Isso, para mim é uma tortura. Sempre fui e continuo sendo uma tagarela.
Enfim, foi um ano inteiro de aprendizagem. Nem tudo foi indolor, nem tudo foi gostoso, mas, no balanço geral, 90% foi positivo. rs Hoje somos pessoas maiores, nos sentimos maiores. Nosso horizonte está maior.
Profissionalmente, o meu caminho ainda é longo e, sinceramente, nem sei por onde começar. Esse foi o meu ano pessoal. O ano de trabalhar em mim, de me conhecer e me reconstruir. Sem a fachada de jornalista, sem nenhum rótulo, sem nenhum refúgio. Eu tive que me olhar e ver quem eu sou. Cresci. Vi que podia ser uma mãe melhor, uma esposa melhor, uma mulher melhor, que a casa podia me dar algum prazer e vários desprazeres. Enfim, aprendi a ter mais calma, a ser mais doce, a ter menos medo e usar menos máscaras.
Para coroar esse ano, resolvemos passar a virada à nossa maneira. Juntinhos, quietinhos e quentinhos em um hotel. rs Essa era a exigência: dormir em um hotel. A cidade pouco importava. Corremos para a net e vimos que o melhor custo benefício era ir para Basiléia. Nem olhamos a previsão do tempo. Passamos o dia 31 inteiro andando debaixo de chuva e neve. Mas valeu a pena. A cidade é linda e o dia 1 estava com um solzinho maravilhoso (2 graus) e sem chuva.
No dia seguinte recebemos o convite para ir andar de trenó. Nossa, meu coração chega saltou pela boca. Eu sempre quis andar de trenó. Foi uma experiência fantástica e acessível mesmo para descordenadas como eu. Entramos o ano com chave de ouro e já estamos atrás dos equipamentos para fazer disso o nosso esporte de inverno. rs
Que esse ano nos reserve ainda mais supresas e alegrias,
Um abraço,
Carol
obs.: A novela Canadá... aguardem os próximos capítulos.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Cinema, a montanha e Maomé
Olá,
acredita que tivemos que viajar para assistir Madagascar 2? Daí o título, se o Cinema não vem até nós, nós vamos até a montanha, digo, Cinema. Enfim... Entendeu?
É que aqui na Suíça não existe filme de censura livre. Todos têm classificação e daí fica difícil levar criança ao cinema. O pior é que a Leila adorava.
Por trás disso tem toda uma questão cultural (muitos acham que crianças não deviam assistir televisão, imagina ir ao cinema). A idéia é que uma criança muito pequena, além de não estar madura para assistir a um filme, vai atrapalhar quem realmente quer assistir.
Eu não concordo. Se o filme é de criança e o adulto não quer ser incomoda, pois que vá a noite em um legendado (era o que eu fazia quando ia ver animações no Brasil e ainda não tinha filho).
Choque cultural à parte, a censura para Madagascar 2, em Zurique, é de 6 anos. Como cada cantão (não sei se fica mais para estado ou para província) decide a sua classificação, fomos para Zug, 40 minutos de trem, onde a idade permitida era 4 anos.
A cidade é uma gracinha e valeu a viagem, apesar do frio congelante. O cinema é pequeno, mas muito confortável. Cadeiras numeradas, intervalo para o lanche (aqui sempre tem intervalo). Na Itália tem também. Não afirmo que é em toda a Europa pq só fui a cinemas nestes dois países. rs
As criança e o comportamento delas também é um capítulo à parte. Super quietinhas, rindo só quando era para rir, prestando atenção, sem conversinhas paralelas. E eu e o Ênio, rindo na hora que os outros riam... de desespero. rs Não deu para entender muita coisa não, ainda bem que o roteiro não era assim tãooooooo complexo. A experiência valeu e nós vamos voltar lá em janeiro para assistir a outra animação.
Um abraço,
Carol

acredita que tivemos que viajar para assistir Madagascar 2? Daí o título, se o Cinema não vem até nós, nós vamos até a montanha, digo, Cinema. Enfim... Entendeu?
É que aqui na Suíça não existe filme de censura livre. Todos têm classificação e daí fica difícil levar criança ao cinema. O pior é que a Leila adorava.
Por trás disso tem toda uma questão cultural (muitos acham que crianças não deviam assistir televisão, imagina ir ao cinema). A idéia é que uma criança muito pequena, além de não estar madura para assistir a um filme, vai atrapalhar quem realmente quer assistir.
Eu não concordo. Se o filme é de criança e o adulto não quer ser incomoda, pois que vá a noite em um legendado (era o que eu fazia quando ia ver animações no Brasil e ainda não tinha filho).
Choque cultural à parte, a censura para Madagascar 2, em Zurique, é de 6 anos. Como cada cantão (não sei se fica mais para estado ou para província) decide a sua classificação, fomos para Zug, 40 minutos de trem, onde a idade permitida era 4 anos.
A cidade é uma gracinha e valeu a viagem, apesar do frio congelante. O cinema é pequeno, mas muito confortável. Cadeiras numeradas, intervalo para o lanche (aqui sempre tem intervalo). Na Itália tem também. Não afirmo que é em toda a Europa pq só fui a cinemas nestes dois países. rs
As criança e o comportamento delas também é um capítulo à parte. Super quietinhas, rindo só quando era para rir, prestando atenção, sem conversinhas paralelas. E eu e o Ênio, rindo na hora que os outros riam... de desespero. rs Não deu para entender muita coisa não, ainda bem que o roteiro não era assim tãooooooo complexo. A experiência valeu e nós vamos voltar lá em janeiro para assistir a outra animação.
Um abraço,
Carol
sábado, 6 de dezembro de 2008
O Natal na Suíça
Oi pessoal,
o último dia 6 foi o dia de Santa Chlaus (Sami Chlaus), um dia muito importante aqui na Suíça, acredito que quase tão importante quanto o próprio natal. Por aqui, o tal do Papai Noel é um completo desconhecido e, embora as roupas do Sami sejam vermelhas e a sua barba seja branca, ele não é gorduxo e nem bonachão. Ele também não dá presentes, pelo menos não os que a gente está acostumado. É o seu ajudante (schmutzli) quem distribui amendoins, nozes e frutas frescas para as crianças.
A lenda, ou uma das lendas, diz que o schmutzli era um lenhador pobre (por isso suas vestes são sujas e sua aparência mal cuidada) que salvou o natal ao recolher os presentes (lembra que o bom velhinho era um bispo rico e que ajudava, sempre na calada da noite, moças e famílias em dificuldade com quantias em dinheiro?) que o Sami Chlaus tinha deixado cair no caminho. A gratidão do Santo foi tão grande, que permitiu que o lenhador o acompanhasse e o ajudasse a distribuir as prendas deste então. Até aí tudo bem. Agora, a lenda também diz que, quando o tal lenhador já distribuiu todos os amendoins e frutas, ele pega os meninos que não foram bons durante o ano e os enfia no saco. Ãh? É ele sim. O nosso temido "homem do saco". rs Eu ouvi muitas vezes a mamãe dizer "não vai para longe que o homem do saco te pega", mas nunca pensei que existisse algo do tipo por aqui também. rs Isso aí a lenda não explica não.
Como eu disse antes, o apelo comercial do Natal aqui não é assim tão grande. As pessoas gostam mesmo é da simbologia. E nós, como bons imigrantes, resolvemos entrar na onda dos suíços. Decidimos comemorar o tal dia de Sami Chlaus indo conhecer o homem pessoalmente, na sua casinha no meio da floresta.
Fomos nós, nossa filhota linda e dois casais amigos. Claro que nunca passou pela minha cabeça um lugar, com o papai noel e um monte de crianças sem nada para vender. Achei que ia ter, pelo menos, um banquinha vendendo café e outra de salsicha (todo evento aqui tem café e salsicha). Acontece que eu me enganei completamente. No caminho, debaixo de chuva, floresta acima, a gente já escutava o grito e os risos das crianças (Oba, pula-pula, algodão-doce, piscina de bolinha, eu pensei). Nada, era só a casa e a criançada se acabando de correr na lama, todos com roupas especiais e marrons de tanta sujeira, rindo e se acabando de comer... amendoim e frutas. Inacreditável. A bebida? Uma espécie de quentão com álcool para os adultos e outro quentão sem álcool para as crianças.
Olhei para um lado, para o outro. Meio decepcionada, lá fui eu para a fila. Estava lá e ia ver o homem nem que demorasse uma eternidade. Os amigos e o maridão, debaixo de chuva, já estavam impacientes. E nada da fila andar. Uma casa tão pequenininha? O que tem tanto para ver? 15 minutos depois, a fila anda. Entramos em uma sala pequena, a luz de velas. Nada muito enfeitado, o importante era o homem e a sua apresentação. Sem colinho, beijinho e tchau. Ele contou, para uma platéia atenda de criancinhas incrivelmente interessadas, sobre o Natal e seus significados. As crianças adoraram. Ele era um verdadeiro ator e conduziu tudo de maneira muito agradável. Na saída, os ajudantes deram mais amendoins e frutas. E eu fiquei com aquela impressão de que quem sabe mesmo se divertir são esses suíços. rs Não gastamos nada e a Leila ficou tão feliz, só não ficou mais feliz porque a mãe é brasileira e não foi para a lama com ela.
Abaixo fotos de divulgação, eu não consegui tirar nenhuma.
Obrigada a todos que comentaram o post passado, é muito bom conhecer alguns de vocês e saber notícias de outros, que também acompanho a tanto tempo.
Um beijo,
Carol




o último dia 6 foi o dia de Santa Chlaus (Sami Chlaus), um dia muito importante aqui na Suíça, acredito que quase tão importante quanto o próprio natal. Por aqui, o tal do Papai Noel é um completo desconhecido e, embora as roupas do Sami sejam vermelhas e a sua barba seja branca, ele não é gorduxo e nem bonachão. Ele também não dá presentes, pelo menos não os que a gente está acostumado. É o seu ajudante (schmutzli) quem distribui amendoins, nozes e frutas frescas para as crianças.
A lenda, ou uma das lendas, diz que o schmutzli era um lenhador pobre (por isso suas vestes são sujas e sua aparência mal cuidada) que salvou o natal ao recolher os presentes (lembra que o bom velhinho era um bispo rico e que ajudava, sempre na calada da noite, moças e famílias em dificuldade com quantias em dinheiro?) que o Sami Chlaus tinha deixado cair no caminho. A gratidão do Santo foi tão grande, que permitiu que o lenhador o acompanhasse e o ajudasse a distribuir as prendas deste então. Até aí tudo bem. Agora, a lenda também diz que, quando o tal lenhador já distribuiu todos os amendoins e frutas, ele pega os meninos que não foram bons durante o ano e os enfia no saco. Ãh? É ele sim. O nosso temido "homem do saco". rs Eu ouvi muitas vezes a mamãe dizer "não vai para longe que o homem do saco te pega", mas nunca pensei que existisse algo do tipo por aqui também. rs Isso aí a lenda não explica não.
Como eu disse antes, o apelo comercial do Natal aqui não é assim tão grande. As pessoas gostam mesmo é da simbologia. E nós, como bons imigrantes, resolvemos entrar na onda dos suíços. Decidimos comemorar o tal dia de Sami Chlaus indo conhecer o homem pessoalmente, na sua casinha no meio da floresta.
Fomos nós, nossa filhota linda e dois casais amigos. Claro que nunca passou pela minha cabeça um lugar, com o papai noel e um monte de crianças sem nada para vender. Achei que ia ter, pelo menos, um banquinha vendendo café e outra de salsicha (todo evento aqui tem café e salsicha). Acontece que eu me enganei completamente. No caminho, debaixo de chuva, floresta acima, a gente já escutava o grito e os risos das crianças (Oba, pula-pula, algodão-doce, piscina de bolinha, eu pensei). Nada, era só a casa e a criançada se acabando de correr na lama, todos com roupas especiais e marrons de tanta sujeira, rindo e se acabando de comer... amendoim e frutas. Inacreditável. A bebida? Uma espécie de quentão com álcool para os adultos e outro quentão sem álcool para as crianças.
Olhei para um lado, para o outro. Meio decepcionada, lá fui eu para a fila. Estava lá e ia ver o homem nem que demorasse uma eternidade. Os amigos e o maridão, debaixo de chuva, já estavam impacientes. E nada da fila andar. Uma casa tão pequenininha? O que tem tanto para ver? 15 minutos depois, a fila anda. Entramos em uma sala pequena, a luz de velas. Nada muito enfeitado, o importante era o homem e a sua apresentação. Sem colinho, beijinho e tchau. Ele contou, para uma platéia atenda de criancinhas incrivelmente interessadas, sobre o Natal e seus significados. As crianças adoraram. Ele era um verdadeiro ator e conduziu tudo de maneira muito agradável. Na saída, os ajudantes deram mais amendoins e frutas. E eu fiquei com aquela impressão de que quem sabe mesmo se divertir são esses suíços. rs Não gastamos nada e a Leila ficou tão feliz, só não ficou mais feliz porque a mãe é brasileira e não foi para a lama com ela.
Abaixo fotos de divulgação, eu não consegui tirar nenhuma.
Obrigada a todos que comentaram o post passado, é muito bom conhecer alguns de vocês e saber notícias de outros, que também acompanho a tanto tempo.
Um beijo,
Carol




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